Sobre a autonomia feminina no consumo do vinho

Segundo Jancis Robinson,

os bares de vinho eram um fenômeno importante na Inglaterra dos anos 70, um símbolo evidente da emancipação feminina. As mulheres eram mal vistas nos pubs, mas essa novidade de bares de vinhos oferecia a elas um lugar de encontro, onde podiam consumir bebidas alcóolicas e saborear pratos mais ousados que nos seus antecessores ninhos de fofoca: os cafés e as casas de chá da Inglaterra de subúrbio.

À exceção dos cafés e casas de chá que, por aqui, não assumem muito bem esse papel pejorativo de “ninhos de fofoca”, considero esse trecho antigo (2006) muito condizente com a realidade atual. Pelo menos como parte do micromundo ao qual pertenço, no Rio.

Percebo nitidamente um interesse crescente das mulheres, de todas as idades, pelo tema.

Percebo uma presença maior de mulheres em lojas especializadas e vejo o vinho, aos poucos, entrando na lista de compras. Não tem uma vez que eu vá ao mercado e não me depare com alguma mulher vasculhando a seção especializada. O que antes parecia um desafio, aos poucos vai se tornando tão banal como quem busca uma promoção de açúcar refinado, por exemplo.

Não raro, observo mulheres que, mesmo acompanhadas de uma figura masculina mais cis, solicitam a “tão temida carta de vinhos”. Eu sou uma que peço logo.

Mulheres pedem mais auxílio ao Sommelier da casa.

Muitas são as mulheres que fazem parte de alguma Confraria. Inclusive, digo com orgulho que a maior Confraria exclusivamente feminina do Brasil é Carioca!

Percebo como as mulheres, finalmente, estão indo sozinhas a bares, onde podem tomar suas taças sem serem condenadas.

Essa liberdade atrai o vinho e vice-versa. E isso é lindo.

E para finalizar, coincidentemente (pode até parecer que não tem nada a ver, mas tem sim), reparei que as 6 últimas edições da Revista Vinho Magazine, cujo público-alvo ainda é, majoritariamente, o masculino, possuem uma figura feminina na capa. E todas sem qualquer apelo depreciativo.

Interessante, né? Não sei pra vocês, mas pra mim, diz muito.

Talvez eu esteja hiper sugestionada. Afinal, eu atendo mulheres empreendedoras em minhas consultorias e escrevo sobre vinhos em meu blog. O fato é que essa participação feminina, cada vez mais presente no mercado consumidor, me enche de satisfação, alegria, sem contar que me inspira muito!

Para minha sorte estou muito acostumada a lidar com mulheres que, sozinhas ou acompanhadas, escolheram se divertir. Então, presenciar essa maravilhosa transformação faz parte da minha vida!

Mudanças, minha gente. Mudanças!

Um brinde à nós, mulheres que bebemos vinho e inspiramos umas às outras!

 


O trecho da Jancis foi retirado do livro “Confissões de uma amante de vinhos”, que comecei a ler e pelo qual estou apaixonada. Ed. DBA.

Revista Vinho Magazine. Link para edições anteriores: http://vinhomagazine.com.br/vm/edicoes.asp

Confraria Amigas do Vinho. A maior Confraria exclusivamente feminina do Brasil: http://www.amigasdovinho.com.br/

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