Tour no Vale dos Vinhedos: aproveitando as pequenas e grandes vinícolas

Em janeiro, antes de começar a escrever aqui, fiz um tour pela rota do vinho.

Na verdade minha viagem teve início em Porto Alegre – capital pela qual tenho particular apreço, visitei Bento Gonçalves, o Vale dos Vinhedos e algumas de suas inúmeras vinícolas –  e depois fui à Gramado e Canela. Aquela viagem bem gostosa, que faz a gente engordar uns dez quilos e retornar cheia de garrafas e histórias para contar.

Nesse post falarei sobre algumas vinícolas que visitei no Vale dos Vinhedos, comentando alguns pontos que considero relevantes para aqueles que pensam em fazer o passeio e estão em dúvida quanto ao que vale mais a pena; se é ir conhecer uma grande vinícola, industrial e bem famosa; ou visitar uma vinícola pequena, boutique, com vinhos menos populares em mercados e grandes lojas.

O que visitar – a escolha do roteiro

Primeiro,

livre-se desses dois mitos:

Mito 1 – Vou fazer muitas vinícolas e beber o máximo de vinhos que puder

Não vai. Ninguém consegue, fica cansativo, você perde o paladar e acaba não aproveitando tudo que as vinícolas e os produtores têm para apresentar.

Faça 3, no máximo 4 vinícolas por dia e procure deixar o almoço sempre por último. Os almoços nessa região do sul são verdadeiros “desfiles” de comida. É fartura para todo lado! Você senta à mesa e começa a chegar pão, galeto, massa, carne…tudo misturado! É bem louco. Me senti a Dona Redonda, tive que comprar uma bermuda porque nenhuma calça mais fechava.

– “Nooosaaa, você não tem vergonha de assumir isso assim, publicamente???” Não. Nenhuma vergonha.

Acontece que depois de tanta comida, você já não consegue mais apreciar o vinho como deveria.

Aí, só no jantar ou no dia seguinte. Então eu prefiro almoçar um pouquinho mais tarde, encerrando o tour. Mas se você consegue comer educadamente, não vejo razões para não continuar após o almoço. É que EU REALMENTE NÃO SEI LIDAR COM AS COMIDAS DO SUL.

Mito 2 – Vinícola boa é vinícola grande e famosa

Ledo engano.

Cada uma tem a sua particularidade. Eu, como sou engenheira, sempre gosto de visitar o processo produtivo de uma beeeem grande e também de uma bem pequenina.

Vinícolas industriais estão mais acostumadas a organizar tour, possuem guias e roteiros pré-definidos, fazem agendamento pelo site…essas coisas. Em vinícolas menores, você é recebido por alguém da família ou por algum funcionário que acompanha de perto o trabalho. Nem sempre existe tour, agendamento, guia. É como em uma grande casa de fazenda: você chega, bate na porta e grita: ô de casa! E vem alguém te receber.

Amo isso.

Aliás, foi o que eu mais gostei no Vale dos Vinhedos.

➡ É importante também que você não se prenda somente aos seus gostos pessoais: “ah, eu gosto desse vinho, então vou visitar essa vinícola”. Claro que sempre queremos saber como são feitos os vinhos que mais amamos, mas permita-se também conhecer novos sabores, de terroirs diferentes!

Eu sou do Rio e nem sempre encontro todos os vinhos do Sul por aqui. Então, viajar para lá é uma oportunidade imensa para abrir o paladar ao nacional e conhecer as preciosidades que o meu país produz. Como curiosa, me permito experimentar diversos rótulos, de produtores de garagem, com produção pequena e diferenciada.

➡ Inclua no seu roteiro, vinícolas que produzem espumantes. Nossos espumantes não perdem para nenhum Champagne. Estão sempre muito bem colocados em avaliações mundiais e recebendo prêmios. Nós estamos nos saindo muito bem na arte das borbulhas!

 

Acorde cedo, comece cedo, inicie pelas pequenas

Tome o café da manhã na pousada ou hotel e já saia para sua primeira degustação. Comece por vinícolas boutiques, que são menores, não possuem tour pelos vinhedos e apenas fazem uma apresentação da carta. Deixe as maiores para o final, pois as maiores possuem tour pelos vinhedos e algumas possuem restaurante, como a Valduga.

Alguns restaurantes são bem populares, indicados em guias de turismo e sites de viagens. Confira antes as avaliações dos usuários e frequentadores, para verificar se o estilo do restaurante combina com o seu gosto e, principalmente, com o seu bolso.

As vinícolas que fiz e merecem destaque foram as seguintes:

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Visitei a Larentis, empresa familiar onde fui muitooooooooooooooooo bem recebida e pude provar toda a carta de vinhos.

Não tem tour, não tem guia. Você chega e pode ir passeando pelos vinhedos da família! Quando eu fui, em janeiro, estavam todos lotadinhos de uvas, umas mais roxinhas, outras mais verdinhas! Deu uma felicidade!

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Além de ir provando tudo, fui conhecendo a história da família, fomos conversando sobre o cenário do vinho nacional, o panorama da vitivinicultura etc.

Óbvio que comprei uma caixa e pedi que entregassem aqui no Rio. Conversamos inclusive sobre esse transtorno chamado FRETE – que muitas vezes nos impede de fazer uma boa compra. Falamos sobre como é difícil fazer com que os produtos circulem pelo país, pois nossos modais logísticos são uma vergonha!

Estão vendo como o papo rende? E haja vinho pra tanta prosa! Vinho é muito bom, gente…vinho une os assuntos!

Recentemente abri um Ancellota deles e estava maravilhoso! Adorei a Larentis, admiro o trabalho do enólogo André Larentis, pelo cuidado na escolha das castas; algumas até inusitadas, que fogem do óbvio da região! Sou suspeita para falar porque amo inovação!

 

 

 

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Miolo – Vinícola industrial, imensa, um monstro do vinho nacional. Eu queria conhecer mais pela grandiosidade que pelos vinhos, já que a carta da Miolo chega com certa facilidade aqui no Rio e eu conheço bastante.

O tour é bem padrão e não mostra muuuita coisa. Achei bem formal, acho que eles podem dar um toque mais “familiar” ao passeio. Talvez tenha sido o meu grupo, mas foi a impressão que me passou.

A Miolo me reservou uma grata surpresa, pois TOMAR UM VINHO NA VINÍCOLA É REALMENTE OUTRA EXPERIÊNCIA! Digo isso porque não sou consumidora dos vinhos da Miolo, exceto o Lote 43, que, para mim, é DiVino. Mas tomei os vinhos de entrada, comuns, e estavam perfeitos, frescos!!!

Sabem a conclusão que tiro disso??? O vinho não chega a mesma coisa aqui no Rio. E, além disso, não fica armazenado adequadamente! Ainda mais em supermercado! Uma pena, porque achei os vinhos degustados excelentes! Se morasse no Sul, certamente compraria mais Miolo para o dia a dia. Aproveitei para comprar o Lote 43 que também não encontro com facilidade aqui no Rio.

 

Outra vinícola familiar que visitei e merece destaque é a Vinícola Boutique Lidio Carraro.   Uma agradável casa, sem parreirais. Você toca a campainha e tem uma simpática e calorosa recepção. Minha xará, Joana, nos recebeu! Além de um vídeo, tivemos a oportunidade de verificar por meio de amostras de terroirs, o solo onde são plantadas as vinhas da vinícola.

sul5A apresentação é minuciosa. Cada detalhe sobre a empresa é citado: a filosofia purista, os prêmios recebidos, o destaque nos jogos olímpicos, até mesmo a formação dos jovens empreendedores da família não passou despercebida. Curiosa que sou, claro, fiz mil perguntas!

E manda mais uma caixa de vinhos para o Rio!

E apenas para fechar o assunto do post, Vinícola grande x Vinícola pequena, gostaria de destacar também que, apesar de industrial, a Valduga me surpreendeu muito positivamente! 

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Senti um ar familiar, o tour é super organizado e nós somos conduzidos por todo o processo produtivo: desde as vinhas, passando pelos tanques, caves e envase final. TUDO É VISTO, CITADO E EXPLICADO. Também achei muito interessante que a degustação aconteça durante a visita, enquanto se caminha.

Lógico que para uma degustação profissional ou de estudo, isso não seria recomendado, mas para um grupo de turistas, achei formidável! Deve dar muuuuito mais trabalho para a vinícola gerir isso, mas eles fazem com uma maestria!

E sabem o que eu vi?

E eu vi turistas satisfeitíssimos, felizes e encantados com o vinho nacional!!! Eu vi sacolas cheias, vi gente alegre e isso é o que importa!

A Valduga é belíssima, gente! Linda, linda, linda. Vontade de morar lá, naquele castelinho!

E…

E…

Como o universo conspira a meu favoooooor, tive o privilégio de conhecer o Sr. João Valduga, que conversou conosco sobre a empresa e sobre seu sonho de fazer da Valduga não só a melhor vinícola brasileira, mas uma vinícola conceito.

Alguém tem dúvidas de que eles vão conseguir? Eu não tenho.

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O espumante 130 é, para mim, uma prova de que, passo a passo, garrafa a garrafa, a Valduga vem se transformando, se lapidando e se firmando como uma referência nacional, tanto em termos de valores familiares como de empreendedorismo.

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Valduga Blanc de Blanc e Blanc de Noir

“Antes de fazer duas garrafas de vinho,
faça uma, mas bem feita.”

 Já dizia Sr. Luiz Valduga, fundador da casa.

Em resumo, minha intenção com esse post é dizer para você: tenha calma e permita-se descobrir para aprender. Independente se você vai visitar uma vinícola grande ou pequena, converse, pergunte tudo e prove o que puder!

Eu, por exemplo, não sou muito fã de brandy, mas nessa viagem me entreguei à maravilha de brandy produzido pela Valduga. Que brandy!!!

Claro que trouxe para casa! Não o XX anos, que meu orçamento não permitia, mas voltei feliz com meu XV anos, que é DiVino!

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Como a vida é feita de escolhas, infelizmente não pude conhecer a Pizzato,  a Almaúnica e as vinícolas de Pinto Bandeira. Em janeiro, quando fui, eu nem tinha o blog ainda, então, acredito que mais para frente farei outras visitas e ainda mais empolgada!

Vontade não me falta! Vamos comigo?

#vinhosdobrasil

Bjs!

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