A Confraria – Encontro #3 – Degustação de Rosés

Você também pode, com os seus amigos, organizar um clube, uma confraria, para juntos partilharem momentos, vinhos e refeições. Por isso estou postando aqui como organizamos e como os encontros acontecem! Para que você aprenda e não cometa os mesmos erros que cometemos. E também para que você possa se inspirar e criar bons momentos de diversão e aprendizagem!

Vamos lá?!

A terceira edição da Confraria Enófila Gastronomica & Cultural foi dominada por Rosés. Sim, Rosés​!

Confraria Enófila Gastronômica & Cultural (5)

Geralmente, os Rosés​ são vinhos produzidos a partir de variedades de uvas tintas que, por possuirem um curto período maceração adquirem menos cor. Maceração é o estágio de tempo em que a casca da uva permanece em contato com o mosto (suco). Existem práticas de elaboração de Roses, que consistem na mistura de uvas, e, até mesmo, de vinhos já prontos, mas são menos comuns.

Os Rosés​ são sempre muito bem-vindos aqui no Brasil e em terras de verão intenso, pois além de apresentarem um corpo leve, são tomados em uma temperatura de serviço mais baixa e, portanto, refrescam! É fácil se imaginar com uma taça de Rose à beira de alguma piscina! Muito fácil!

E lá fomos nós na curadoria de quais vinhos seriam comprados. Ficamos na dúvida se seriam só espanhóis, mas acabamos optando por diversificar.

Como já expliquei nas edições anteriores (ed. 1 e ed.2 ) os custos dos vinhos são divididos entre os participantes. Desta forma, não há qualquer problema em tomarmos um vinho mais caro ou mais barato, o importante é degustar, experimentar e aprender!

Foram servidos às cegas:

1 Francês;

2 Espanhóis

1 Romeno. Sim, um Rosé Romeno. Não me pergunte agora sobre isso: EU JAMAIS HAVIA PROVADO UM VINHO ROMENO.

Essa degustação não teve um vinho “impostor”, teve um “diferentão” – que foi esse Romeno. 

Nesta terceira edição, eu fui a responsável pelo serviço, então, embalei cuidadosamente as garrafas; que foram numeradas e postas à prova.  É muito importante manter (ou tentar manter) os vinhos secretos. Levamos isso muito a sério!

A anfitriã da edição foi a Donana, que cedeu a casa para realizarmos o evento.

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Donana numerando as garrafas

Para nossa análise nas Confrarias, sempre utilizamos as Fichas Analítico-Descritivas do método Giancarlo Bossi, que é a ficha utilizada na ABS. Ela é uma ficha didática, que ajuda muito quem está aprendendo a ter um método no momento da avaliação.

E quando finalmente os vinhos foram revelados, veio a surpresa!

confraria3

Nós 4 apostamos que o 4 era o espanhol de Rioja…e…

Erramos!

Acabou que o Rioja nem era tããããooo bom assim, e, o Romeno, apesar de já estar mais que no prazo para ser tomado, foi ótimo no paladar!

Se observar pela cor, tanto o 4 (Romeno) como o 2 (espanhol) tinham uma cor intensa, um salmão em vez de rosado. O Francês (1) era bom. Mas apenas bom, passava despercebido, pois não tinha persistência.

E na minha ordem de preferência ficou: 4, 3, 1 e 2.

Vamos às avaliações – pela ordem degustada!

1 – Fortant de France Terroir Littoral Grenache Rose 2015

No nariz pêssego e balinha de groselha. Um vinho sem expressão, mas na boca é melhor que no nariz. Sabor ligeiro demais, sumiu! Um vinho altamente leve, para ser tomado enquanto se espera a entrada ou com petiscos bem levinhos.

2 – Torres Sangre de Toro Rosé 2015

No nariz morangos, pêssegos maçãs, lichia e flores (talvez rosa). Aquele cheirinho de cromo adesivo, de figurinhas. Estava bom no nariz, mas só isso também. Pelo preço, temos Roses infinitamente melhores no mercado.

3 – Honorio Rubio Tremendus Clarete 2015

Senti nesse vinho o aroma de uma bebida que tomava quando criança, o Tanjal. Bem artificial, mas gostoso. Pêssegos, morango e um ar mineral – que fez toda diferença frente aos outros dois que eram mais frutados. Senti ao final um toque de lichia também. Também ligeiro ao paladar, mas mais equilibrado que os outros dois.

4 – Nomad Syrah Rosé 2013

A cor nem parecia de rose. Intenso, quase cor de um fortificado. No nariz pêssegos, doce de frutas em compota e lichia. Foi o único dos quatro que senti o amanteigado da malolática. O mais persistente dos quatro. Apesar de ser de 2013, demonstrou-se bem equilibrado.


Como a proposta da Confraria Enófila Gastronômica e Cultural também é a harmonização, a mesa dessa edição ficou composta da seguinte forma:

Entrada – Carlos;

Prato principal – Donana;

Sobremesa – Alessandro;

Serviço – eu!

Fazer o serviço, nesse caso, foi moleza! Não precisei cozinhar e nem me preocupar com compras, receitas e talz…fiquei de MADAME, ADOREI!

Como o vinho francês era o mais levíssimo de todos, escolhemos ele para ir bebericando até a entrada sair.

A entrada foi bruschetta de camarão com toque de endro. A mistura ficou muito boa e tinha uma pastinha entre o pão e os camarões – que não dá para ver na foto, mas estava ótima!

O prato principal foi uma típica Paella Valenciana, em homenagem à temática dos Rosés espanhois.

Ficou ó, DiVina!

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Paella Valenciana, DiVina!

O vinho nos leva à uma gama de conhecimentos e outros pazeres, como, por exemplo, a cozinha. Minha amiga Donana não cozinha, não gosta, nunca viu graça. Agora está vendo, se descobrindo na cozinha. Porque o vinho faz isso com as pessoas. Ele transforma.

E eu, aproveito!!!

E a sobremesa foi uma coisa que eu amooooooooo

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Pastéis de Belem

Pastéis de Belém caseiros! Ou melhor: pastéis do Cadarso!

Estavam ótimos!

Mais rústicos, pois a massa estava um pouco mais grossa que a original, mas não menos gostosos! Eu comi logo dois para não ter nem tempo de refletir sobre o que eu estava fazendo – já que eu finjo fazer dieta!

Gostei muito desta edição e, sinceramente, não tenho muito o que dizer com relação a acertos ou erros como nas anteriores. Talvez devêssemos ter optado por um tinto, já que fazia frio no Rio e o tempo pedia. Mas como tudo é acertado antes, não teve jeito. E gente: vinho é vinho.

O fato de ter tido um vinho tão diferente, inusitado, foi ótimo! Agora já tenho um vinho Romeno em minha “litragem”. Experimentar é abrir horizontes, se permitir ao novo e evoluir.

O que vale é aprender e degustar!

Já estou ansiosa pela próxima, que será de Pinots.

E você? Não quer fazer um evento assim com seus amigos?

Faça e depois me conte como foi! Eu vou adorar trocar uma ideia!

Bjs!

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