A Confraria – Encontro #2

Aconteceu, em 25 de março, o nosso segundo encontro da Confraria Enófila Gastronômica & Cultural. Uma reunião de amigos que querem degustar vinhos e pratos.

Você também pode, com os seus amigos, organizar um clube, uma confraria, para juntos partilharem momentos, vinhos e refeições. Por isso estou postando aqui como organizamos e como os encontros acontecem! Para que você já aprenda e não cometa os mesmos erros que cometemos. Vamos lá?!

E o tema do segundo encontro foi: Brancos da Catena.

Ou seja: Argentina.

Amo.

A Catena Zapata é uma vinícola familiar argentina, localizada em Mendoza, fundada por Nicola Catena, quando em 1902 plantou sua primeira vinha de uvas Malbec. A história e o site da empresa você pode conferir aqui.

Em nosso primeiro encontro, listamos algumas lições aprendidas e, desta vez, tentamos não cometer os mesmos erros. Apenas novos! Porque erros sempre vão acontecer, não adianta.

O QG desta edição foi a minha casa, e, conforme estatuto interno (cof, cof, cof), é papel do anfitrião preparar a casa disponibilizando papéis (para avaliação dos vinhos), canetas, taças, copos de água e toda a infra necessária para que o evento aconteça.

O formulário de avaliação que temos utilizado (por enquanto) na Confraria é o do Método Giancarlo Bossi – que é o mesmo utilizado na ABS.

(Quem quiser uma cópia do arquivo é só me mandar um e-mail que eu envio)

Bom, para que eu não me perdesse, fiz um checklist com tudo que eu precisava organizar para “sediar” a Confra.

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O poder da alta tecnologia na minha organização

Nesta edição, os vinhos foram comprados pela Donana e divididos por nós quatro. Foram comprados 3 brancos da Catena (todos Alamos) e 1 “impostor” – o famoso dois de paus, safadinho que entra na degustação para confundir a gente. Só sabíamos que ele era branco, claro.

O custo para cada um ficou em R$ 22,00 (vinte e dois) ou seja: não me venha dizer que beber vinho é um hobby caro, quando você pode dividir com amigos esses momentos tão maravilhosos!

O serviço ficou por conta da Donana. Como ela havia comprado os vinhos; e vinhos brancos possuem garrafas MUITO distintas, o mais sensato seria ela ensacar e ficar sendo uma espécie de café com leite. Ou a neutra da vez.

Mas acabou que até ela já estava confusa e não lembrava mais qual era qual, porque a embalagem ficou BEM fechada, com o papel até em cima.

 

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Vinhos ensacados e degustação rolando

 

Vinhos precisam estar na temperatura certa, logo, no calor, isso é preocupante, pois iriam esquentar rapidamente (estava super quente no Rio). Vinhos brancos não devem ser servidos estupidamente gelado como alguns imaginam, trincando a garrafa. Mas também não pode ser quente. A temperatura ideal é em torno de 10ºC . Então, enquanto degustávamos as duas primeiras, as outras duas retornaram (com o papel e tudo) para dentro da geladeira.

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Alessandro muito concentrado.

Análises feitas, hora do resultado!

Qual vinho era o impostor?

Será que conseguimos distinguir às cegas entre Sauvignon, Chardonnay e Torrontés?

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As estrelas do dia

A surpresa foi que TODOS identificaram o quarto vinho como sendo o Torrontés! Na hora!

O Torrontés tem um aroma no nariz muito peculiar de limãozinho! E além do mais estava muito fresco! Foi o melhor vinho do dia, eleito por todos nós, teve uma pontuação disparada mais alta!!!

Carlos e Alessandro acertaram toda a sequencia, inclusive o impostor!

Eu errei, coloquei o 2! Não que eu tenha achado o Carmen melhor. Não é. O Alamos é bem superior, mas vinho branco é vinho para ser tomado jovem, e esse Alamos que degustamos (2) é de uma safra de 2010, então achei ele um pouco desequilibrado – daí pensei: é o impostor! Embora o Carmén também já estivesse bem passado (2011).

Ou seja: preciso estudar, estudar e estudar. Experimentar, experimentar e experimentar.

Com relação as uvas, não tive dificuldades. Já estou me acostumando a reconhecer os amanteigados dos Chardonnays e os cítricos dos Sauvignons. Mesmo às cegas!

Meu ranking de melhor vinho foi o seguinte (minhas avaliações estão no Vivino e coloquei os links para consulta de preço e comentários gerais):


1º – Alamos Torrontés 2014

Maravilha de Torrontés! Amarelo pálido, quase prata, lindo. Nariz: limão siciliano, floral leve. Na boca: cítrico, seco, porém redondo, super propício ao calor do Rio. Perfeita persistência. Não cansa.

2º – Alamos Sauvignon Blanc 2012

Apesar de apresentar um amarelo palha com dourado intenso, as demais características do Sauvignon em termos de nariz permaneceram: maracujá, pêssego. Porém, tendendo mais ao pêssego, por se tratar de um vinho branco com idade. Na boca, não se fez tão presente quanto deveria, mas ainda assim refrescou bem.

3º – Carmen Sauvignon Blanc 2011

Amarelo palha e no nariz senti grama e capim limão. Estava um pouco desequilibrado devido ao tempo excessivo de guarda.

4º – Alamos Chardonnay 2010

Amarelo palha, mais encorpado que o necessário, pois tomei em 2017. Entretanto, manteve-se  com um visual brilhoso, nariz  amanteigado – lácteo, e persistência. Era possível sentir um final que não me agradava, mas creio que seja devido ao tempo em que ficou guardado.


Como a proposta da Confraria Enófila Gastronômica e Cultural também é a harmonização, a mesa dessa edição ficou da seguinte forma:

Alessandro ficou com a entrada, eu fiquei com o prato principal  e Carlos com a sobremesa. Nós não sabemos o que o amiguinho irá servir. É surpresa!!!

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Alessandro preparando a Entrada

A entrada foi um brie empanado ao panko servido ao leito de rúcula (sim, os pratos do Alessandro possuem nome de respeito)

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Brie + Chardonnay = amor

Em seguida veio o meu prato principal. Fiz um bobó de peixe com arroz branco e farofinha amarela.

bobó
A bananinha frita queimou rs : )

E para fechar a nossa tarde (já quase noite) degustativa, o Tiramissu com toque de doce de leite argentino feito pelo Carlos.

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DiVino

Essa edição foi ótima, divertida e, como sempre, agregou conhecimentos para a gente. Teve muito mais acertos que erros e, com relação ao evento em si, o que iremos melhorar na próxima e o que acertamos nessa foi o seguinte:

  • A quantidade de vinhos foi adequadíssima! Não tem como ser mais. Aprendemos isso na edição 1.
  • Tive muitos problemas ao fazer peixe. Como a Confraria é ao meio dia, tive que ir cedo à feira, logo pela manhã, para deixar tudo pronto! Quando cheguei, adivinha?! A feira não estava lá! Tinha mudado de lugar e eu não sabia (isso porque verifiquei antes na página da prefeitura). Entrei em pânico, saí procurando uma feira e quando finalmente achei, fui em uma barraca de peixe que não conhecia. Resultado: meu peixe estava duro igual toco de pau. Precisando praticamente cortar com um serrote. Isso porque eu pedi um Cherne! Peixe super caro, macio e gordo.Sem contar que eu sempre faço esse peixe aqui em casa e sempre fica bom! Então, amigo leitor, ficaram duas lições pra mim: tenha um plano B e aprenda a comprar peixe! Eu não sei comprar peixe e, na correria, nem prestei atenção no que o cara me entregou! Também lembrei que os chefs de cozinha geralmente possuem seu peixeiro de confiança, açougueiro de confiança…é por isso. Tá explicado!
  • Nessa edição tivemos música argentina como som ambiente. Ficou bem legal, cria um clima!
  • Confirmamos, empiricamente, que vinho branco, quanto mais jovem melhor. O fato de alguns brancos serem de safras antigas (2011, 2012 e até 2010) comprometeu no momento da avaliação de aroma e paladar. Já o Torrontés, o mais jovem, foi o melhor. Coincidência? Pode ser. Mas fez diferença, ele era nitidamente o mais fresco de todos!

E você? Não quer experimentar fazer um evento assim com seus amigos?

Faça e depois me conte como foi! Eu vou adorar trocar uma ideia!

Bjs!

divina-assinatura

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