LIVRO: A Viúva Clicquot

Livro: A Viúva Clicquot – A história de um Império do Champanhe e da Mulher que o Construiu. Autora: Tilar J. Mazzeo. 2009. 302 páginas. Editora Rocco.

Para quem é: Mais para os que gostam de vinho e menos para os que gostam de biografias (a ausência de dados históricos, ao meu ver, compromete a biografia); É ótimo, perfeito também para os que empreendem na área de vinhos!

Iniciei a leitura em: 14/02 e terminei em: 20/03. Poderia ter lido bem mais rápido.

Visão geral: Para mim foi uma leitura muito boa, pois o livro reúne as minhas paixões: empreendedorismo (principalmente o feminino) e vinhos.

viuva

Crítica e opinião: Não, eu não sou louca por Champagne. Mas viajar na possibilidade de termos uma mulher, viúva, mãe, empreendendo na França de Napoleão…é uma ouuutra história. E que história!

E lá fui eu para o século XVIII viver a vida de Barbe Nicole Clicquot Ponsardin!
Aí tem os que vão dizer: “ah, mas naquela época, as mulheres viúvas que trabalhassem, eram sim aceitas na sociedade…”
Amigo…Amigx, amigues,
Não são aceitas nem bem dizer hoje em dia, só isso já basta. Mas isso não vem ao caso.

O fato é que não era ruim a situação de Barbe Nicole.
Ela já tinha dinheiro, tinha uma condição, era bem resolvida e casou-se bem. Mas aí é que está o lance!

Poderia ter ficado de madame, não poderia?

Poderia ter vivido da renda e criado sua filha como tantas outras fizeram, não poderia?
Só que não. Nunca é assim na vida de um empreendedor. Porque existe a inquietação.
E ela nunca foi assim.
Desde nova acompanhava com outro olhar a produção de vinhos da família.
Barbe Nicole sabia que poderia fazer parte daquilo tudo. Sabia que ERA PARTE DAQUILO TUDO.
DA TERRA, DA AGRICULTURA.
Porque é isso, gente. Vinho é chic, né? Mas é agricultura.
É da terra que vem a uva. É da base, do chão.
Mesmo o vinho mais caro de um leilão rococó, vem das mãos de um agricultor. E Barbe Nicole sabia disso.

Se hoje você toma um Champagne clarinho, sem sedimentos, é graças à ela.
Não, meu bem! Ela não era Engenheira não. Não tinha diploma não. Era apenas uma estudiosa dos PROCESSOS.
OBSERVAVA, ANALISAVA, MELHORAVA.
OBSERVAVA, ANALISAVA, MELHORAVA.
E sua técnica é empregada até hoje nas grande industrias do mundo.

Barbe Nicole, que sempre teve prazer em participar das colheitas, engarrafava a maior parte de seus vinhos. A viúva dedicava boa parte do seu tempo à mistura e ao envelhecimento.

Teve que aprender a ser comerciante, tudo no meio da guerra.

Nunca hesitou ao enviar seu Champagne para a Rússia, mesmo correndo o risco de ter sua carga comprometida. Perdeu algumas vezes, se recuperou na maioria.
Ganhou mercado, fez nome. Sofreu preconceito. Por ser mulher, por ser empresária. Tornou sua bebida desejada, de luxo, sinônimo do que há de mais caro no mundo.

Construiu um império enquanto o restante do mercado ruía.

O livro é cheio de incertezas, justamente pela discrição de sua vida particular. Barbe, apesar de ter esse comportamento diferenciado para época, era uma mulher caseira e conservadora. Nunca participou de nenhuma movimento ou causa feminista. Ocupava-se apenas com seus negócios e com a criação de sua filha.

A ausência de fatos históricos, não deixa de envolver o leitor pelos acontecimentos curiosos referentes aos processos da produção do Champagne. Uma aula para os que estão estudando!
Talvez com uma riqueza de detalhes desnecessária, no que se refere aos assuntos familiares. Confesso que essas são passagens que não me agradaram. Dispenso!
Mas é incrível ir lendo e vendo a contribuição de uma mulher que, aos 27 anos, ao perder o marido, decide seguir em frente e fazer mais: inovar, expandir. Mesmo com todo mundo duvidando e indo contra.
Eu acho tudo isso de uma admiração estupenda!

Uma das pessoas que, se eu pudesse voltar no tempo, puxaria uma cadeira, pegaria uma taça de Champagne (ou de um bom espumante nacional) e começaria a puxar conversa por horas!

Amei conhecer sua história empreendedora!

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